30.12.02

Estive relendo minhas últimas exposições e cheguei a uma conclusão não muito feliz: estou complicando demais.
Não quero ser complicado, não quero ser Nietzche, quero ser Drummond. Pra descomplicar deixa eu explicar:
1) Nietzche era muito bom, mas complicava demais; acho que, às vezes, nem ele próprio se entendia.
2) Drummond é profundo no sentido e raso na forma (e olha eu tentando complicar denovo!); bem, Drummond é claro e talvez, por este motivo, mais relevante, pois chega mais fácil às pessoas.

Bem, essa teoria eu acabei de inventar. É uma teoria minha que precisa ser melhor desenvolvida, não se propõe a ser irrefutável. Aliás, eu mesmo, enquanto montava estas palavras como quem brinca com Lego, já pensei em um monte de formas de me chamar de mentiroso. E escrevendo "um monte" eu já pareço mais com Drummond do que com Nietzche, mas, inegavelmente, acabo ensacando meu texto, minhas emoções, numa embalagem descaradamente plagiada do Sabino.

Isso aí, não tenho estilo, escrevendo sou uma junção daquilo que eu gosto. Talvez minha única contribuição "estilística" expressiva seja o acréscimo de um grande número de estruturas sintáticas defeituosas que não refletem aquilo que quero dizer. Escrever, às vezes parece com falar com a mulher desejada: nada acontece como planejamos.
E talvez (depois de tantos "talvez") esta última teoria coloque-nos todos mais próximos de Drummond.

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