Aniversários
De uns tempos pra cá, sobretudo depois que adquiri, inevitavelmente, uma certa maturidade e comecei a achar que poderia ser uma espécie qualquer de escritor, comecei, ano após ano, a notar uma certa lugubridade pairando sobre minha cabeça entre os dias que rodeiam meu aniversário. Há um tom meio fatídico em todos esses "feliz aniversário" que ouço. E parece que todos nós nos sentimos na obrigação de dizer algo semelhante, quando conhecemos o aniversariante, e também ouvir, quando somos o aniversariante; e todos somos uma vez durante ano.
Há também os presentes, abraços e festas, os quais não discuto a simbologia e a relevância, mas não posso deixar de ficar incomodado com toda aquela permissividade aparente quando estou no centro destas atenções. Um dia antes da dita data nada parece mexer-se em meu favor, mas então, como se os planetas alinhassem-se em uma conjunção astral única, eis que o dia amanhece com o sol brilhando e com os passarinhos cantando como cítaras bem entoadas; tudo deve ser perfeito; todos devem sorrir e meu dia deve ser feliz para, no dia seguinte (e a Terra gira mesmo, não tem jeito), retornar a realidade, que não é dura, mas sim o mais real que ela pode ser.
Não desdenho ainda dos "parabéns"e tão pouco dos presentes, e também não quero acender monumentais fogueiras de discussões psico-sociológicas "Che Guevarianas" em prol dos que não tem nada, pois ninguém tem tudo e, muitas vezes, o item que falta para a satisfação é suficiente para nos afastar dela de modo que só consigamos encontrar nossa completude na própria morte. Quero apenas acender uma pequena chama que, na forma de uma idéia, possa ser um valoroso comburente capaz de incinerar dogmas que ainda não chegaram a ser tabus, e que estes ressurjam como o Fênix, mais fortes, mais consistentes, renovados.
Eu não ia complicar, não queria complicar, mas não teve jeito, não fui capaz. Acho que vou mudar isso depois; dar uma remodelada; não ficou bom.
Lugarzinho para registrar psicodelias. Um baú inteiro de abobrinhas grátis pra quem estiver afim de dar uma olhadinha.
11.1.03
7.1.03
Da Crônica Intimista
De crônica intimista todo cronista entende: é a vã tentativa de engabelar o leitor com sentimentos próprios do autor, carente por uma demonstração e aprovação pública de seus anseios. Bem, segundo uma definição do Aurélio, intimismo é um gênero poético avesso à grandiloqüência, e em que se procura exprimir sentimentos íntimos e, por outro lado, o sentido das coisas simples.
Sem querer ser muito ingrato e audacioso contradizendo o meu bom Aurélio, que já me ajudou a lapidar um punhado historinhas, balbucio sobre a inocência de tal definição em se tratando de poetas. Digo isso na condição do poeta que sou, sim, um poeta do cotidiano avesso às rimas mais do que à grandiloqüência, conhecedor da parte obscura do poetismo onde exercito minha auto-comiseração em numa busca silenciosa pelos refletores da glória da poesia, onde enfim eu poderei descansar e dizer ao meu público em um tom tímido exaustivamente ensaiado:
- O que é isso gente... eu escrevo por que gosto. Nunca imaginei que chegaria tão longe. Muito obrigado.
MENTIRA! Mentira por que só eu sei como ardem-me as palavras que estampo em meus textos. Escrever acaba se tornando uma nacessidade quase comparável à reprodução. Um meio único para minha sobrevivência mental, dadas todas as minhas deficiências e minha total inépcia na realização de outra atividade que me proporcione maior deleite.
Portanto não acredito no intimismo poético. Para que são as histórias senão para serem lidas pelo maior número possível de pessoas? E também não acredito em destrinchar os sentimentos de forma a arrancar-lhes as víceras. Não gostaria de ser acometido de tamanha confusão mental que me levasse a tornar patólogicos quaisquer sentimentos que fossem. Prefiro escrever algo de útil que não revire o estômago do meu leitor e, no final do último parágrafo, se conseguir a proeza de causar-lhe um nó na garganta, proporcinar aos nobres de espírito uma respiração profunda que os levem a uma conclusão confortante sobre a existência ou, no mínimo, mais uma crônica inócua.
De fato não consigo ser sempre útil. Das crônicas que considero de utilidade pública - aquelas que precisam ser lidas - espero uma fusão de sentimentos alheios com os egocentrismos poéticos do autor, criando algo de valor para o consumidor final da história, o que pode ser, no mínimo, uma moral de fábula. Portanto, como não quero afanar o tempo que pode ser caro ao leitor, vou dizendo logo: o que escrevo são crônicas intimistas.
De crônica intimista todo cronista entende: é a vã tentativa de engabelar o leitor com sentimentos próprios do autor, carente por uma demonstração e aprovação pública de seus anseios. Bem, segundo uma definição do Aurélio, intimismo é um gênero poético avesso à grandiloqüência, e em que se procura exprimir sentimentos íntimos e, por outro lado, o sentido das coisas simples.
Sem querer ser muito ingrato e audacioso contradizendo o meu bom Aurélio, que já me ajudou a lapidar um punhado historinhas, balbucio sobre a inocência de tal definição em se tratando de poetas. Digo isso na condição do poeta que sou, sim, um poeta do cotidiano avesso às rimas mais do que à grandiloqüência, conhecedor da parte obscura do poetismo onde exercito minha auto-comiseração em numa busca silenciosa pelos refletores da glória da poesia, onde enfim eu poderei descansar e dizer ao meu público em um tom tímido exaustivamente ensaiado:
- O que é isso gente... eu escrevo por que gosto. Nunca imaginei que chegaria tão longe. Muito obrigado.
MENTIRA! Mentira por que só eu sei como ardem-me as palavras que estampo em meus textos. Escrever acaba se tornando uma nacessidade quase comparável à reprodução. Um meio único para minha sobrevivência mental, dadas todas as minhas deficiências e minha total inépcia na realização de outra atividade que me proporcione maior deleite.
Portanto não acredito no intimismo poético. Para que são as histórias senão para serem lidas pelo maior número possível de pessoas? E também não acredito em destrinchar os sentimentos de forma a arrancar-lhes as víceras. Não gostaria de ser acometido de tamanha confusão mental que me levasse a tornar patólogicos quaisquer sentimentos que fossem. Prefiro escrever algo de útil que não revire o estômago do meu leitor e, no final do último parágrafo, se conseguir a proeza de causar-lhe um nó na garganta, proporcinar aos nobres de espírito uma respiração profunda que os levem a uma conclusão confortante sobre a existência ou, no mínimo, mais uma crônica inócua.
De fato não consigo ser sempre útil. Das crônicas que considero de utilidade pública - aquelas que precisam ser lidas - espero uma fusão de sentimentos alheios com os egocentrismos poéticos do autor, criando algo de valor para o consumidor final da história, o que pode ser, no mínimo, uma moral de fábula. Portanto, como não quero afanar o tempo que pode ser caro ao leitor, vou dizendo logo: o que escrevo são crônicas intimistas.
Psico-grafite
Passada a euforia do reveillon, continua chegando pra mim, por e-mail, um monte de palavras maravilhosas de Drummond, sempre me dizendo para não desistir da vida "que é bonita e é bonita", mas que nunca foram escritas por ele. Mas não vou ser tão intolerante a ponto de achar que os textos que me enviam não são do Grande Poeta. Tudo pode ter sido psicografado por aqui e por acolá, com uns goles de cachaça no gargalo e umas mães-de-santo arrumadinhas, bem mais ao estilo Jorge Amado do que ao Drummond. E os que não acreditam que leiam e resignem-se.
A Internet está aí pra ajudar a gente mesmo depois que a vida leva nossos bons amigos que sempre a amaram tanto, como o velho Carlinhos (Drummond). Aliás, mais uma peróla que recebi deve ter sido recentemente psicografada, pois o Poeta fala da Internet com clareza e discernimento de darem inveja a Nicholas Negroponte. O grande problema dessa Literatura Mediúnica é quando uns Exus engraçadinhos resolvem baixar, pegar a caneta e se passarem por Drummond dando origem a um besteirol de auto-ajuda de dar inveja ao Paulo Coelho.
Mas Carlinhos não deve ligar pra isso, não deve ligar de seu nome estar sendo usado para disseminar bobagens que não fazem mal a ninguém, não deve ligar de estar, mesmo que indiretamente, fazendo ciúmes no Paulinho.
Quando nós, os vivos, formos privados da valorosa companhia do Paulinho nesta ineficiente forma humanóide, devemos estar preparados para todas as psico-gargalhadas que daremos quando recebermos psico-ensinamentos pela Internet. Quando esse triste dia chegar podemos ao menos ficar tranqüilos com todos os trâmites fúnebres inevitáveis, pois ele mesmo já deve ter se preparado bastante, pois o próprio já diz saber quando partirá. Um grande problema pro Paulinho, um pouquinho mais vaidoso que o Carlinhos, será fazer com que as pessoas diferenciem suas histórias psicografadas daquelas dos Exus engraçadinhos, pois o estilo assemelha-se por demais.
Passada a euforia do reveillon, continua chegando pra mim, por e-mail, um monte de palavras maravilhosas de Drummond, sempre me dizendo para não desistir da vida "que é bonita e é bonita", mas que nunca foram escritas por ele. Mas não vou ser tão intolerante a ponto de achar que os textos que me enviam não são do Grande Poeta. Tudo pode ter sido psicografado por aqui e por acolá, com uns goles de cachaça no gargalo e umas mães-de-santo arrumadinhas, bem mais ao estilo Jorge Amado do que ao Drummond. E os que não acreditam que leiam e resignem-se.
A Internet está aí pra ajudar a gente mesmo depois que a vida leva nossos bons amigos que sempre a amaram tanto, como o velho Carlinhos (Drummond). Aliás, mais uma peróla que recebi deve ter sido recentemente psicografada, pois o Poeta fala da Internet com clareza e discernimento de darem inveja a Nicholas Negroponte. O grande problema dessa Literatura Mediúnica é quando uns Exus engraçadinhos resolvem baixar, pegar a caneta e se passarem por Drummond dando origem a um besteirol de auto-ajuda de dar inveja ao Paulo Coelho.
Mas Carlinhos não deve ligar pra isso, não deve ligar de seu nome estar sendo usado para disseminar bobagens que não fazem mal a ninguém, não deve ligar de estar, mesmo que indiretamente, fazendo ciúmes no Paulinho.
Quando nós, os vivos, formos privados da valorosa companhia do Paulinho nesta ineficiente forma humanóide, devemos estar preparados para todas as psico-gargalhadas que daremos quando recebermos psico-ensinamentos pela Internet. Quando esse triste dia chegar podemos ao menos ficar tranqüilos com todos os trâmites fúnebres inevitáveis, pois ele mesmo já deve ter se preparado bastante, pois o próprio já diz saber quando partirá. Um grande problema pro Paulinho, um pouquinho mais vaidoso que o Carlinhos, será fazer com que as pessoas diferenciem suas histórias psicografadas daquelas dos Exus engraçadinhos, pois o estilo assemelha-se por demais.
Assinar:
Postagens (Atom)