Aniversários
De uns tempos pra cá, sobretudo depois que adquiri, inevitavelmente, uma certa maturidade e comecei a achar que poderia ser uma espécie qualquer de escritor, comecei, ano após ano, a notar uma certa lugubridade pairando sobre minha cabeça entre os dias que rodeiam meu aniversário. Há um tom meio fatídico em todos esses "feliz aniversário" que ouço. E parece que todos nós nos sentimos na obrigação de dizer algo semelhante, quando conhecemos o aniversariante, e também ouvir, quando somos o aniversariante; e todos somos uma vez durante ano.
Há também os presentes, abraços e festas, os quais não discuto a simbologia e a relevância, mas não posso deixar de ficar incomodado com toda aquela permissividade aparente quando estou no centro destas atenções. Um dia antes da dita data nada parece mexer-se em meu favor, mas então, como se os planetas alinhassem-se em uma conjunção astral única, eis que o dia amanhece com o sol brilhando e com os passarinhos cantando como cítaras bem entoadas; tudo deve ser perfeito; todos devem sorrir e meu dia deve ser feliz para, no dia seguinte (e a Terra gira mesmo, não tem jeito), retornar a realidade, que não é dura, mas sim o mais real que ela pode ser.
Não desdenho ainda dos "parabéns"e tão pouco dos presentes, e também não quero acender monumentais fogueiras de discussões psico-sociológicas "Che Guevarianas" em prol dos que não tem nada, pois ninguém tem tudo e, muitas vezes, o item que falta para a satisfação é suficiente para nos afastar dela de modo que só consigamos encontrar nossa completude na própria morte. Quero apenas acender uma pequena chama que, na forma de uma idéia, possa ser um valoroso comburente capaz de incinerar dogmas que ainda não chegaram a ser tabus, e que estes ressurjam como o Fênix, mais fortes, mais consistentes, renovados.
Eu não ia complicar, não queria complicar, mas não teve jeito, não fui capaz. Acho que vou mudar isso depois; dar uma remodelada; não ficou bom.
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