A vida em atos - parte I de III (uma visão completamente pessoal)
Começando logo a explicar o título de mais essa súbita invenção da minha fantástica soberba, a história foi divida em atos para esconder minha incapacidade de traçar uma narrativa complexa de um só vez e ser entendido. Além disso, "atos" remetem-nos ao teatro e o tom teatral agrada-me no tratamento das asserções que estou por fazer.
Saber de uma vida que vale a pena de ser vivida foi uma verdadeira injeção de ânimo pra eu que andava há algum tempo duvidando do sentido da nossa valorosa existência. Depois de receber milhares de ridículos textinhos de auto-ajuda pela Internet - meu Deus, me ajudem -, estava quase desistindo de tentar encontar alguma pista que me indicasse um "gran finale" e já preparáva-me para resignar-me a uma existência desprovida de surpresas do estilo trabalho-casa, casa-trabalho, com direito a algumas liberdades (condicionais) nos finais de semana.
Me pergunto se estas questões também são objetos freqüentes dos monólogos mentais de outras pessoas. Acho que fazemos isso de uma forma imperceptível, e a auto-crítica, se não estiver aguçada, nem critica, nem faz nada, acaba cansada como a gente e acaba sumindo, sumindo e sumindo; no final já nem é mais auto-crítica, mas nós continuamos carrengando o fardo... Fardo? Não sei se é uma palavra que explica direito a situação, mais deixa assim.. Bem... carregando o fardo de sermos nós mesmos sempre até que a morte nos separe (de nós mesmos). E olha aí! É olha aí ô cidadão mais desatento! Dentro desses parênteses no finalzinho daquela frase logo ali atrás; no meio dos parênteses que conta como se eu não quisesse contar, eu acabei dizendo o seguinte: não acredito em Deus ou em outra entidade cósmica qualquer! Pronto, está dito e não posso voltar atrás por que está já escrito aqui. E também não quero voltar atrás, pois era isso mesmo que eu queria escrever no início. Início do texto? Não. Início do minha consciência (que não julgo como boa ou ruim). Desde que deixei de torcer pra time de futebol e rezar à noite pra Papai do Céu.
Quem tentar encontrar amargura nestas palavras pode cansar de procurar, pois tentei desfrutar de cada momento em que estive por aí existindo. Mas ao passar pelas etéreas marcações de fases da vida (aquelas através das quais todos os nossos falsos axiomas determinam que a felicidade está depois da linha de chegada) comecei a desconfiar que poderia ser um coadjuvante do filme hollywoodiano do qual eu não tinha dúvida que minha vida seria.
E haja vontade pra continuar tocando em frente e não ficar em casa dormindo o dia todo com preguiça!
E haja sorrisos que te ajudem a continuar!
E haja textinhos medíocres de auto-ajuda pela internet!
Felizmente houveram meus amigos.
(Fim do "Ato I", fui fazer um lanchinho e já volto; e, se alguém estiver lendo isso, é bom lembrar que a continuação fica acima)
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