30.3.04

Choveu Hoje

Ei,
choveu bastante hoje e caiu um raio aqui perto. Fez um barulho danado, ficamos sem luz por algum tempo e, conseqüentemente, fiquei sem trabalhar. Só por causa disso consegui ver que depois da chuva se formou um belo arco-íris lá fora. Há muito tempo eu não via um arco-íris, nem me lembro quando foi o último que eu vi, talvez tenha sido há mais de um ano. Infelizmente nos últimos anos acabei ignorando muitos arco-íris. Hoje a chuva me faz lembrar arco-íris, não quero mais que chova, pois arco-íris me faz lembrar que não vejo muitos arco-íris por aí.

28.3.04

Amanheceu o dia repleto de um gris ao qual não poder-se-ia adjetivar de outra forma que não como angustiante, mesmo sabendo que o "gris" já é um adjetivo por si só.
O ar era cinza-concreto, mas de concreto não se via nada pois tanto a brisa quanto os pensamentos, ora errantes ora errados, esvaiam-se e amontoavam-se no canto dos meio-fios pintados com cal.
Mãos aos bolsos, cabeça arriada, um suspiro vez ou outra, procurando pedrinhas e seixos para pontapear. E pontapeava com precisão, para azar das latas de lixo e dos cachorros vadios ciscando os resquícios da feira.
O lusco-fusco do crepúsculo parecia adiantar-se ao meio-dia com um sol teimoso e preguiçoso a esgueirar-se por entre as nuvens carregadas a ponto de precipitarem-se delas mesmas até o asfalto.
Ouviu uns gritos ao longe que desviaram-no de seus profundos e já esquecidos pensamentos: "Socorro, socorro". Uhn, se querem ajuda deveriam gritar "fogo", pensou, aí todo mundo ia correr pra ver o que é. Postulou isso e emendou: "SOCORRO!"