Num Domingo...
Bom dia, bom dia, bom dia!
Aproveitando a tranqüilidade do Domingo ensolarado, com temperatura amena e possibilidade de chuvas esparsas no final da tarde, fico enrolando por aí; passeio pelas ruas já que as pessoas deixaram as ruas pra mim; fico rolando no chão da sala lendo uns livros e ouvindo, mesmo sem entender muito, as notícias esportivas carregadas de um lirismo pouco comum às demais programações da televisão; puxo o violão e fico criando acidentalmente novos arranjos para músicas dos Beatles; vou almoçar cantarolando e olhando o nenhum movimento constante das ruas. Até o vento parece ter ido comer o macarrão da casa da mamãe; não dá o "ar" da graça e as folhas das castanheiras e dos oitizeiros ficam paradinhas cochilando.
Continuo com um pensamento besta na cabeça: o que serão chuvas esparsas?
Tenho uma idéia de "esparsa" como "espalhada", mas uma "chuva esparsa" não parece fazer muito sentido pra mim. Prometo que vou olhar a definição no dicionário, assim que estiver perto de um, buscando uma outra definição que possa vir a causar uma tempestade na minha concepção de chuva esparsa.
Anotando mais esta dúvida na minha caixinha mental de dúvidas vou logo esquecendo de uma ou outra anotada no mesmo lugar há mais tempo; toco em frente sem apertar o passo, pois correr seria inútil já que não tenho aonde chegar; feliz, depois de um passeio solitário pelas inúmeras pracinhas das adjacências, decido voltar pra casa para um cochilo e talvez uns tabletes de chocolate. Provavelmente estarei trancado até o início da Segunda-Feira, mas isso não me causa nenhuma sensação claustrofóbica, pois estarei ocupado tentando criar algo tão completo quanto estas palavras com as quais termino mais esta pequena Crônica de Domingo. Antes, é claro, preciso agradecer à amiga que presenteou-me com estas palavras, mesmo que ela não se desse conta disso, no meio de um e-mail.
"(...) Meu Deus! As palavras mudam de direção mais rápido
que aquele vento que passa quando estamos na praia e
joga areia nos nossos olhos enquanto estamos tentando
segurar a barraca que achávamos que estava bem firme."
Bom dia, boa tarde e boa noite a todos.
Lugarzinho para registrar psicodelias. Um baú inteiro de abobrinhas grátis pra quem estiver afim de dar uma olhadinha.
27.7.03
20.7.03
A febre de um Sábado azul* (ou crônica dos pequenos prazeres)
O sábado começou como um sábado: ninguém viu, ninguém escutou, chegou de mansinho em meio ao zum-zum dos figurantes que estrelavam a madrugada; acabou indo embora sem que ninguém notasse e só deixou saudade na segunda-feira quando o rapaz tentava lembrar o que tinha feito entre a sexta-feira e o domingo. Lembrou de uns relâmpagos no teto da sala daquela casa (que casa era mesmo?) preparada para ser uma boate improvisada. O ventilador de teto parecia girar bem devagar iluminado pelo estroboscópio. Apesar de saber que a velocidade do aparelho era muito maior do que a percebida pelo seu sentido menos desenvolvido, aquele rodopiar manso das hélices o acalmava à medida que o fazia lembrar de crianças brincando de roda. Não desejou tornar a brincar de roda, mas lembrou de seus sábado ensolarados e tentou lembrar dos motivos que faziam-no sorrir quando criança correndo em curvas que não poderiam ser descritas por nenhuma equação diferencial que conhecia.
Terminou o horário de almoço esfregando os olhos na pia do banheiro tentando achar uma lógica no fluxo dos pensamentos que guiaram-no até ali...
"Está chorando?", brincou um amigo.
"Não, tô dançando a macarena!", respondeu como se estivesse desferindo um soco sem fixar os olhos no adversário, mas o amigo saiu-se rindo como se tivesse sentido apenas cócegas. Lembrou que era bom com piadas rápidas e depois de enxugar o rosto voltou feliz até sua mesa, quando tratou de procurar outra coisa que o deixasse feliz até a hora do café. Será que encontraria alguma coisa assim na gaveta?
* (o asterisco aqui é pra todo mundo prestar atenção e não sair por aí dizendo que eu inventei o título, que é o primeiro verso de uma música chamada "Viernes 3 AM")
O sábado começou como um sábado: ninguém viu, ninguém escutou, chegou de mansinho em meio ao zum-zum dos figurantes que estrelavam a madrugada; acabou indo embora sem que ninguém notasse e só deixou saudade na segunda-feira quando o rapaz tentava lembrar o que tinha feito entre a sexta-feira e o domingo. Lembrou de uns relâmpagos no teto da sala daquela casa (que casa era mesmo?) preparada para ser uma boate improvisada. O ventilador de teto parecia girar bem devagar iluminado pelo estroboscópio. Apesar de saber que a velocidade do aparelho era muito maior do que a percebida pelo seu sentido menos desenvolvido, aquele rodopiar manso das hélices o acalmava à medida que o fazia lembrar de crianças brincando de roda. Não desejou tornar a brincar de roda, mas lembrou de seus sábado ensolarados e tentou lembrar dos motivos que faziam-no sorrir quando criança correndo em curvas que não poderiam ser descritas por nenhuma equação diferencial que conhecia.
Terminou o horário de almoço esfregando os olhos na pia do banheiro tentando achar uma lógica no fluxo dos pensamentos que guiaram-no até ali...
"Está chorando?", brincou um amigo.
"Não, tô dançando a macarena!", respondeu como se estivesse desferindo um soco sem fixar os olhos no adversário, mas o amigo saiu-se rindo como se tivesse sentido apenas cócegas. Lembrou que era bom com piadas rápidas e depois de enxugar o rosto voltou feliz até sua mesa, quando tratou de procurar outra coisa que o deixasse feliz até a hora do café. Será que encontraria alguma coisa assim na gaveta?
* (o asterisco aqui é pra todo mundo prestar atenção e não sair por aí dizendo que eu inventei o título, que é o primeiro verso de uma música chamada "Viernes 3 AM")
19.7.03
Da íris cristalina à alma opaca
Quando o despertador toca de manhã eu quase sempre acordo com uma calma exterior disfarçando meu desespero interno. Quando olho meus olhos vermelhos no espelho, terminando de me vestir e começando a pentear o cabelo, às vezes percebo raios do sol vencendo as persianas e iluminando meu perfil direito. Mesmo com a escuridão do quarto, alguns raios de sol cismam em fazer brilhar o cristalino disforme dos meus olhos. Minha íris parece então uma bola de gude rachada ao meio e cheia de trincados pronta para esfacelar-se. "Tomara que a noite chegue mais depressa hoje", penso.
Quando o despertador toca de manhã eu quase sempre acordo com uma calma exterior disfarçando meu desespero interno. Quando olho meus olhos vermelhos no espelho, terminando de me vestir e começando a pentear o cabelo, às vezes percebo raios do sol vencendo as persianas e iluminando meu perfil direito. Mesmo com a escuridão do quarto, alguns raios de sol cismam em fazer brilhar o cristalino disforme dos meus olhos. Minha íris parece então uma bola de gude rachada ao meio e cheia de trincados pronta para esfacelar-se. "Tomara que a noite chegue mais depressa hoje", penso.
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