A febre de um Sábado azul* (ou crônica dos pequenos prazeres)
O sábado começou como um sábado: ninguém viu, ninguém escutou, chegou de mansinho em meio ao zum-zum dos figurantes que estrelavam a madrugada; acabou indo embora sem que ninguém notasse e só deixou saudade na segunda-feira quando o rapaz tentava lembrar o que tinha feito entre a sexta-feira e o domingo. Lembrou de uns relâmpagos no teto da sala daquela casa (que casa era mesmo?) preparada para ser uma boate improvisada. O ventilador de teto parecia girar bem devagar iluminado pelo estroboscópio. Apesar de saber que a velocidade do aparelho era muito maior do que a percebida pelo seu sentido menos desenvolvido, aquele rodopiar manso das hélices o acalmava à medida que o fazia lembrar de crianças brincando de roda. Não desejou tornar a brincar de roda, mas lembrou de seus sábado ensolarados e tentou lembrar dos motivos que faziam-no sorrir quando criança correndo em curvas que não poderiam ser descritas por nenhuma equação diferencial que conhecia.
Terminou o horário de almoço esfregando os olhos na pia do banheiro tentando achar uma lógica no fluxo dos pensamentos que guiaram-no até ali...
"Está chorando?", brincou um amigo.
"Não, tô dançando a macarena!", respondeu como se estivesse desferindo um soco sem fixar os olhos no adversário, mas o amigo saiu-se rindo como se tivesse sentido apenas cócegas. Lembrou que era bom com piadas rápidas e depois de enxugar o rosto voltou feliz até sua mesa, quando tratou de procurar outra coisa que o deixasse feliz até a hora do café. Será que encontraria alguma coisa assim na gaveta?
* (o asterisco aqui é pra todo mundo prestar atenção e não sair por aí dizendo que eu inventei o título, que é o primeiro verso de uma música chamada "Viernes 3 AM")
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