19.7.03

Da íris cristalina à alma opaca
Quando o despertador toca de manhã eu quase sempre acordo com uma calma exterior disfarçando meu desespero interno. Quando olho meus olhos vermelhos no espelho, terminando de me vestir e começando a pentear o cabelo, às vezes percebo raios do sol vencendo as persianas e iluminando meu perfil direito. Mesmo com a escuridão do quarto, alguns raios de sol cismam em fazer brilhar o cristalino disforme dos meus olhos. Minha íris parece então uma bola de gude rachada ao meio e cheia de trincados pronta para esfacelar-se. "Tomara que a noite chegue mais depressa hoje", penso.

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