13.5.07

Comentando o "caos"

(á-u). [Do lat. chaos <>
S. m.
1. Hist. Filos. Nas mitologias e cosmogonias pré-filosóficas, vazio obscuro e ilimitado que precede e propicia a geração do mundo; abismo.
2. Grande confusão ou desordem.
3. Fís. Comportamento praticamente imprevisível exibido em sistemas regidos por leis deterministas, e que se deve ao fato de as equações não-lineares que regem a evolução desses sistemas serem extremamente sensíveis a variações, em suas condições iniciais; assim, uma pequena alteração no valor de um parâmetro pode gerar grandes mudanças no estado do sistema, à medida que este tem uma evolução temporal.

Caos primordial. Cosm.
1. Concepção de que ao princípio o Universo pode ter sido altamente irregular e heterogêneo.
Cabernet Sauvignon Reserva

Tratei de tomar o resto da garrafa de vinho depois que ela foi embora. Não posso permitir que meia garrafa seja perdida por causa de uma crise qualquer. Não lembro agora se a ardência nos meus olhos tinha sido uma alergia ou outro motivo qualquer, mas já eram três e dezoito da manhã e eu ali minerando vocábulos relevantes para gravar nas paredes aqueles inusitados sentimentos.

É, li algumas metáforas da Ritinha, mas acabei concordando com o Pirata Curupira. Precisava de uma companhia machista e sem julgamentos de valor para aquela derradeira taça, e assim adormeceria entorpecido pela luz da lua minguante e o pelo barulho das máquinas que entrava pela janela do meu quarto.

Já com bastante sono imaginei uma história bem saguinária dessa vez, com direito a decaptação e estripamento, tudo com as portas e as janelas bem escancaradas para que todo mundo visse. Não seria um assassino por causa disso, mas já não me importava e no fundo o que eu não queria é que me acusassem de travado e dissessem que eu não percebia as oportunidades a minha volta.

Entre uma pergunta e outra da conversa que era levada num tom amigável e irritante, lembro tê-la ouvido falar, quando indagada sobre o motivo do aborrecimento, que não era boa pra dar exemplos. A partir daquele momento entendi que recebera um autorização para achar o que quisesse da vida sem dar nenhuma explicação pra ninguém. Lembrei novamente do Pirata Curupira e, na falta de rum, sequei minha taça de vinho.

10.3.07

Passos por entre os olhos

Acordou como se fosse um louco a estapear a cabeça para que suas idéias desarrazoadas escorregassem pelos ouvidos, mas a formiga que havia entrado naquele ouvido que cochilava à sombra da castanheira não entendia o porquê de tanta gritaria, continuaria sua interminável marcha ainda que tivesse de transpassar infinitos obstáculos mais.

Mas afinal "o que eram obstáculos", poderia se perguntar a formiga caso a infinitesimal capacidade de dicernimento permitisse. Não era do conhecimento dela que o orifício escolhido como passagem até um destino melhor era envolto por uma criatura qualquer, e, mesmo que soubessem, que relevância isso poderia ter? Desafiava até mesmo a gravidade dentro daquela fissura que já não parecia uma bom atalho. Agora já tentava retornar ao sentido da luz e talvez conseguisse com mais eficiência se não fossem os solavando e rodopios que forçavam um maior dispêndio de energia e frequentes correções da rota.

Fez-se o silêncio novamente mas o rastro de seus passoas haviam desaparecido. Não sabia mais pra onde ia e também não sabia como voltar. Não sabia porque estava ali, mas também não ligava pra isso. Ficou quieta, pois assim talvez aquela confusão toda acabasse. Quando achou que o mundo havia voltado à tediosa e segura normalidade arriscou alguns passos e quase caiu pra traz com um novo solavando. Agradeceu por ser uma formiga naquela hora, apesar da falta de sorte. É, definitivamente não deveria ter saído do formigueiro aquele dia.