13.5.07

Cabernet Sauvignon Reserva

Tratei de tomar o resto da garrafa de vinho depois que ela foi embora. Não posso permitir que meia garrafa seja perdida por causa de uma crise qualquer. Não lembro agora se a ardência nos meus olhos tinha sido uma alergia ou outro motivo qualquer, mas já eram três e dezoito da manhã e eu ali minerando vocábulos relevantes para gravar nas paredes aqueles inusitados sentimentos.

É, li algumas metáforas da Ritinha, mas acabei concordando com o Pirata Curupira. Precisava de uma companhia machista e sem julgamentos de valor para aquela derradeira taça, e assim adormeceria entorpecido pela luz da lua minguante e o pelo barulho das máquinas que entrava pela janela do meu quarto.

Já com bastante sono imaginei uma história bem saguinária dessa vez, com direito a decaptação e estripamento, tudo com as portas e as janelas bem escancaradas para que todo mundo visse. Não seria um assassino por causa disso, mas já não me importava e no fundo o que eu não queria é que me acusassem de travado e dissessem que eu não percebia as oportunidades a minha volta.

Entre uma pergunta e outra da conversa que era levada num tom amigável e irritante, lembro tê-la ouvido falar, quando indagada sobre o motivo do aborrecimento, que não era boa pra dar exemplos. A partir daquele momento entendi que recebera um autorização para achar o que quisesse da vida sem dar nenhuma explicação pra ninguém. Lembrei novamente do Pirata Curupira e, na falta de rum, sequei minha taça de vinho.

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