Relendo postais.
E já se fez o tempo das crianças saberem que belos horizontes não costumam nos proporcionar vitórias e nem de vitórias vemos o limiar de belos horizontes. E já se fez o tempo das crianças saberem que vitórias remetem a batalhas e de batalhas vitoriosas não regressaram muitos.
Que belo horizonte pode ter alguém com a vitória lembrando hectares de quase-vitoriosos derrotados pelo chão, encharcando o solo desmatado, formando um sangrento rio de Janeiro a Janeiro? Tão longe estaria a vitória do belo horizonte até se fossem duas cidades, como Esparta e Atenas, entrecortadas não por rios ou mares, mas sim por palavras que não são ditas ou escritas e que mantêm um ranço fossilizado por pensamentos mortos há muito tempo. Não há nem mais palavras que possam fazer ressurgir o acalanto pueril nem mais madeira no mundo capaz de reaquecer o fogo que se abrandou até a extinção.
No final, nos ensinam as crianças, parece que só resta aos personagens rezar a um maiúsculo São Paulo, que para uns teria minúscula importância, por um sinal divino que indique a redenção provável, mas desacreditada.
Lugarzinho para registrar psicodelias. Um baú inteiro de abobrinhas grátis pra quem estiver afim de dar uma olhadinha.
31.1.04
30.1.04
3.1.04
Quando os carangueijos falam
Correu das sombras da parede branca em direção à escadaria petelecando suas patinhas na cerâmica escorregadia o salão de festas. Preferiu não arriscar o primeiro degrau e olhou ao seu redor com desalento. Seus olhos esbugalhados cruzaram-se aos meus entremeados por um copo suado de cerveja. Envergonhado, escondi a puã e o martelinho, fingindo que não era comigo. Talvez não fosse. Tomou coragem e finalmente lançou-se do degrau, já decidido a não levar mágoas desta vida para outra qualquer que pudesse existir. Mas a tentativa de suicídio foi em vão, caiu no primeiro degrau de um conjunto de dezenas de degraus. Já ia se recompondo, arrependido, quando foi novamente capturado e passou a ser exibido aos presentes como uma pequena aberração. Posto sobre uma mesa, não agüentou a histeria das moças e novamente se lançou ao espaço. Não mais o pintariam de vermelho nem o esquartejariam naquele estranho ritual.
Correu das sombras da parede branca em direção à escadaria petelecando suas patinhas na cerâmica escorregadia o salão de festas. Preferiu não arriscar o primeiro degrau e olhou ao seu redor com desalento. Seus olhos esbugalhados cruzaram-se aos meus entremeados por um copo suado de cerveja. Envergonhado, escondi a puã e o martelinho, fingindo que não era comigo. Talvez não fosse. Tomou coragem e finalmente lançou-se do degrau, já decidido a não levar mágoas desta vida para outra qualquer que pudesse existir. Mas a tentativa de suicídio foi em vão, caiu no primeiro degrau de um conjunto de dezenas de degraus. Já ia se recompondo, arrependido, quando foi novamente capturado e passou a ser exibido aos presentes como uma pequena aberração. Posto sobre uma mesa, não agüentou a histeria das moças e novamente se lançou ao espaço. Não mais o pintariam de vermelho nem o esquartejariam naquele estranho ritual.
1.1.04
Por um ano novo
Sinto-me meio imbecil quando escrevo uma mesóclise. Acho que a mesóclise nos priva de alcançar simplicidade da frase. E assim como Mário de Andrade teria aconselhado o Oswald (de mesmo sobrenome, mesma índole, mesmo senso de humor, mas de família diferente, sendo os dois uma entidade quase sempre única para "nós-eu" leigos) a não utilizar as reticências, pelo fato destas darem um caráter duvidoso e impuro às palavras, eu desaconselho o uso da mesóclise por motivo de não querer roubar a pureza da mensagem.
Então que sejam os votos simples e transparentes para um novo ano que se inicia: que todos tirem o máximo proveito dele.
Sinto-me meio imbecil quando escrevo uma mesóclise. Acho que a mesóclise nos priva de alcançar simplicidade da frase. E assim como Mário de Andrade teria aconselhado o Oswald (de mesmo sobrenome, mesma índole, mesmo senso de humor, mas de família diferente, sendo os dois uma entidade quase sempre única para "nós-eu" leigos) a não utilizar as reticências, pelo fato destas darem um caráter duvidoso e impuro às palavras, eu desaconselho o uso da mesóclise por motivo de não querer roubar a pureza da mensagem.
Então que sejam os votos simples e transparentes para um novo ano que se inicia: que todos tirem o máximo proveito dele.
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