3.1.04

Quando os carangueijos falam

Correu das sombras da parede branca em direção à escadaria petelecando suas patinhas na cerâmica escorregadia o salão de festas. Preferiu não arriscar o primeiro degrau e olhou ao seu redor com desalento. Seus olhos esbugalhados cruzaram-se aos meus entremeados por um copo suado de cerveja. Envergonhado, escondi a puã e o martelinho, fingindo que não era comigo. Talvez não fosse. Tomou coragem e finalmente lançou-se do degrau, já decidido a não levar mágoas desta vida para outra qualquer que pudesse existir. Mas a tentativa de suicídio foi em vão, caiu no primeiro degrau de um conjunto de dezenas de degraus. Já ia se recompondo, arrependido, quando foi novamente capturado e passou a ser exibido aos presentes como uma pequena aberração. Posto sobre uma mesa, não agüentou a histeria das moças e novamente se lançou ao espaço. Não mais o pintariam de vermelho nem o esquartejariam naquele estranho ritual.

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